Gravações telefônicas mostram um esquema irregular de arrecadação de dinheiro no município de Pilar, nesse período eleitoral.

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Gravações telefônicas obtidas pelo site Repórter Alagoas mostram um esquema irregular de arrecadação de dinheiro no município de Pilar, nesse período eleitoral.

Através de dinheiro depositado nas contas de Guardas Municipais, a administração da prefeitura recolhia novamente o valor alegando sendo que essa “verba” era para aquisição da farda.

Os guardas eram abordados por pessoas que trabalham diretamente no serviço público para devolver o dinheiro em espécie. O esquema foi denunciado por um grupo de guardas municipais, que não concordaram com o esquema montado pela administração do atual prefeito Carlos Alberto Canuto.

“Eles depositaram esse dinheiro na conta de muita gente e depois foram pegar. Eles disseram que era para comprar a farda, mas nunca recebemos nada e o dinheiro ficou com eles”, disse um dos denunciantes.

Nas contas dos funcionários os depósitos ocorreram diversas vezes. Em uma das gravações, um dos guarda afirma que recebi dois depósitos de R$ 450,00, no entanto outras pessoas chegaram a receber até R$ 800,00.

Outra mulher, que também trabalha como guarda municipal, afirmou na gravação que recebeu o dinheiro, mas queria participar mais do esquema porque sabia que era errado.

“Veio buscar na minha casa aí eu disse, eu não tirei o dinheiro. Aí ele veio buscar na minha casa e disse, “Mas é uma coisa que é segura, não tenha medo não!” Eu disse não! Nada que é de enrolada é seguro. Ele, “Você tá me chamando de…”. Eu disse, tô! Aí depois eu descobri chamei a pessoa. Eu disse não é fardamento, não é? Aí, “Não é porque…” Eu disse eu não quero mais na minha conta não” (sic).

Gravação 1

Pessoa 1: Eu quero lhe perguntar a respeito de um dinheiro que estava sendo colocado na conta de algumas pessoas para que fosse repassado de volta pelo Vitor. A gente sabe de inúmeros casos na guarda municipal. O seu como foi?

Pessoa 2 (Guarda Municipal): Foi assim, ele pediu… Eu pedi a farda a ele que na verdade quando a gente entrou não tinha farda.

Pessoa 1: Não tinha!

Pessoa 2 (Guarda Municipal): Aí ele disse ó, eu vou depositar o dinheiro na sua conta e você repassa para mim e a gente compra a farda para vocês.  Só que ele botou num valor que pra mim o valor não seria o valor da farda, mas ele falou pra mim assim ó…

Pessoa 1: Era um valor maior ou menor?

Pessoa 2 (Guarda Municipal): Um valor maior. Aí eu repasso o dinheiro pra ele.

Pessoa 1: Quantas vezes?

Pessoa 2 (Guarda Municipal): Foram duas vezes. Aí o valor que eu achei um pouco a cima, né? Mas eu fiquei na minha, né?

Pessoa 1: Quanto foi, tu lembra?

Pessoa 2 (Guarda Municipal): 450 (quatrocentos e cinquenta), 450 (quatrocentos e cinquenta).

Pessoa 1: Duas vezes, né?

Pessoa 2 (Guarda Municipal): Foi! Colocou uma parte, um valor eu passei para ele. Aí no outro valor eu passei para ele também.

Fim

DENÚNCIAS GUARDA MUNICIPAL

Gravação 2

Pessoa 1: Aqui…(falha no áudio) as pessoas que é beneficiado (sic)…

Pessoa 2: Eu sei, meu irmão…

Pessoa 1:Vários! Olha, tem gente aqui, tem gente aqui pedido de Tairone, pedido de Thaís, pedido de prefeito que não tem condições de sair. Tem gente de grupamento tático que já tinha, que já são… Mas, que é de outra pessoa que passa que ajeita…

Pessoa 2: Ô Vitor, eu sei meu irmão…

Pessoa 1: … como se viesse da mão de prefeito. Se eu disser a você que eu não chego até uma ou duas para pegar dinheiro… Agora que também tem gente que tem que dizer que pega, que recebe do doutor. Tem que chegar e dizer!  Tem várias pessoas do Tairone que eu não estou medindo esforços, não estou medindo…

Pessoa 2: Eu sei, eu sei, eu sei… eu sei!

Pessoa 1: Que eu disse… essa eleição não tem possibilidade nenhuma da gente continuar! Não tem porque vai dar zoada!

Pessoa 2: Eu sei, mas um momento…

Fim

DENÚNCIAS GUARDA MUNICIPAL

Gravação 3

Pessoa 1: Eu vou lhe fazer uma pergunta com base no que já aconteceu, porque muita gente já foi usada para que ele depositasse o dinheiro pra que fosse repassado. E assim… a senhora também, não foi?

Pessoa 2 (Mulher): Uma vez. Mas, colocaram sem minha autorização e quando eu soube eu pedi para pessoa não fazer mais isso porque eu não gostei e eu não queria mais isso. Porque a minha conta é algo meu, um particular meu! Mas isso foi feito sim, mas sem a minha autorização.

Pessoa 1: Eu soube disso… Eu posso lhe perguntar quem foi buscar? Só foi o Souza?

Pessoa 2: Foi ele e o… Ai Jesus… Um que tem o nariz afilado. Márcio, Marcos… Veio buscar na minha casa aí eu disse, eu não tirei o dinheiro. Aí ele veio buscar na minha casa e disse, “Mas é uma coisa que é segura, não tenha medo não!” Eu disse não! Nada que é de enrolada é seguro. Ele, “Você tá me chamando de…”. Eu disse, tô! Aí depois eu descobri chamei a pessoa. Eu disse não é fardamento, não é? Aí, “Não é porque…” Eu disse eu não quero mais na minha conta não!

Pessoa 1: E disse porque era?

Pessoa 2: Não! Eu disse, diga logo a realidade para mim. Eu só entrego o dinheiro depois que me falar a realidade. Aí ele disse assim para mim que era hora extra. Aí eu fiz: “Hora extra?” Entreguei o dinheiro, disse tome coloque mais não!

Fim

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