”O Samu salvou a minha vida”: usuários exaltam eficiência do serviço

Caminhoneiro e idoso narram experiências próprias após estarem a ‘um passo’ da morte

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Vinte e sete de julho de 2015 ficou marcado na vida do idoso Givaldo Joventino de Farias, 63 anos, conhecido popularmente como Seu Oscar, como sendo o dia em que ele recebeu uma nova chance para viver. O idoso estava na Praça Luiz Pereira Lima, no centro de Arapiraca, onde costumava frequentar um evento voltado a pessoas da terceira idade.

Era por volta do meio-dia, quando acontecia a apresentação de um trio de forró no palco principal da praça. Seu Oscar, um dos participantes mais animados da festa, estava dançando quando começou a passar mal, pediu para se sentar e, segundos depois, perdeu a consciência devido a uma parada cardíaca.

Naquele momento, o idoso iniciava uma luta pela vida. Populares que estavam no local imediatamente acionaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que chegou ao local em poucos minutos com uma equipe de motossocorristas ou pelicanos, como são conhecidos.

Wittames Santos, um dos socorristas que participou da ocorrência, afirma que o paciente apresentava um quadro de saúde muito grave. “Foram três paradas cardíacas. Fizemos massagens de reanimação por vários minutos, o que foi o suficiente para devolvê-lo à vida”, afirmou.

Mas a batalha ainda não estava ganha. Após seu quadro ter sido estabilizado ainda na praça, o idoso foi conduzido por uma Unidade de Suporte Avançado (USA) até o Hospital Regional de Arapiraca, onde permaneceu internado por 49 dias, sendo 33 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Agradeço, primeiramente a Deus, por estar vivo, e, em segundo lugar, a esses verdadeiros anjos que trabalham no Samu. Se eles não tivessem chegado tão rápido, hoje eu poderia não estar contando essa história”, disse o idoso, agora mais aliviado, ao lado da esposa, Dona Ivanilda Pereira, quatro filhos e uma netinha.

A parada cardíaca fez com que os destinos de Seu Oscar e do socorrista Wittames se cruzassem e eles se tornassem bons amigos. Desde quando ainda estava no hospital, Seu Oscar recebe visitas do socorrista e da equipe que participou do resgate.

O caminhoneiro Geraldo Ferreira de Almeida, 54, se despediu da esposa, dos filhos e saiu de São Sebastião rumo à capital do Estado, onde iria entregar uma carga de telhas que estava em seu caminhão. Dez minutos depois uma atitude imprudente de outro caminhoneiro mudou para sempre a sua vida. Ele seguia pela BR-101 e, ao se aproximar do trevo de acesso a São Sebastião, uma carreta atravessou, repentinamente, em sua frente.

“Não consegui frear e bati em cheio no meio da carreta. A cabine do meu caminhão ficou imprensada entre a carreta e a carga de telhas, que deslizou e me empurrou pelas costas. Fiquei preso às ferragens e achei que iria morrer”, disse o caminhoneiro.

 Populares e outros motoristas acionaram o Corpo de Bombeiros e o Samu, que, em poucos minutos, chegaram ao local. Seu Geraldo sofreu fraturas no fêmur, perna, tornozelo, braço, bacia e costelas, algumas delas expostas. “Eu praticamente perdi todo o sangue do corpo. Estava preso às ferragens e sem poder sair, numa terrível sensação de impotência”, afirmou.

Enquanto os militares do Corpo de Bombeiros serravam e puxavam as ferragens do caminhão no intuito de retirar o motorista, socorristas do Samu iniciavam todos os procedimentos necessários para mantê-lo vivo. Além de permanecerem o tempo todo conversando para que ele não dormisse, os socorristas aplicaram medicamentos e imobilizaram a parte posterior do seu corpo, a fim de evitar outras lesões.

Em estado gravíssimo, Geraldo foi encaminhado à Unidade de Emergência do Agreste, onde permaneceu por quatro dias em estado de coma. Depois foi transferido no Samu Aeromédico até um hospital de Maceió, onde ficou por mais 40 dias na UTI.

Devoto de Nossa Senhora Aparecida e São Miguel Arcanjo, o agora ex-caminhoneiro diz que deve sua vida, primeiramente, às entidades religiosas e, em segundo lugar, ao trabalho eficiente do Samu e Corpo de Bombeiros.

“Os meninos do Samu foram mais do que paramédicos. Durante todo tempo eles conversaram comigo, me acalmaram e deram orientações que foram determinantes para me manter vivo”, disse o caminhoneiro.

Apesar de ter ficado com algumas leves limitações físicas, Geraldo atualmente leva uma vida praticamente normal e até voltou a dirigir. “A força de vontade é grande e aos poucos vou superando cada uma das limitações. Já voltei a dirigir carro pequeno e motocicleta, pois a vida continua”.

O Samu da 2ª macrorregião, com base em Arapiraca, cobre mais de 50 municípios, conta com 26 ambulâncias, três motocicletas e cerca de 500 colaboradores.

Adalberto Custódio – Agência AL

29/09/16

 

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